Vaticano critica "fundamentalistas" cuja leitura literal da Bíblia torna ainda mais difícil a vida das comunidades cristãs na região.
O Papa Bento XVI terminou ontem uma visita de três dias a Chipre com um apelo "pessoal a favor de um esforço internacional, urgente e concertado, para resolver as tensões actuais no Médio Oriente, especialmente na Terra Santa, antes que estes conflitos conduzam a tragédias ainda maiores".
Um documento ontem publicado pela Igreja Católica, do sínodo dos bispos do Médio Oriente, refere-se ao conflito israelo-palestiniano com críticas à ocupação israelita dos territórios palestinianos. A certo passo, o texto menciona "grupos fundamentalistas cristãos" que justificam pelos textos bíblicos "a injustiça política imposta aos palestinianos, o que torna a posição dos cristãos árabes ainda mais delicada" na região.
Bento XVI aproveitou a visita a Chipre para pedir o apoio do mundo aos cristãos do Médio Oriente, "que sofrem pelas suas crenças", e são forçados pelas perseguições religiosas a abandonar o Médio Oriente. O Papa esteve só na parte ortodoxa da ilha, mas encontrou-se com representantes muçulmanos durante uma procissão junto à linha verde que divide a ilha desde 1974.
No texto publicado pelo sínodo dos bispos consta um apelo às três religiões monoteístas da região (cristãos, judeus e muçulmanos) a enfrentarem juntas a "ameaça" colocada pelas "correntes extremistas" muçulmanas.
O eventual desaparecimento dos cristãos da região implica, segundo o Vaticano, "o empobrecimento do pluralismo que sempre caracterizou os países do Médio Oriente".
O Papa celebrou ontem em Nicósia uma missa onde participaram mais de 10 mil pessoas, com muitos emigrantes de países católicos (das Filipinas, por exemplo), mas também peregrinos que vieram do Líbano ou da Síria

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